domingo, 8 de janeiro de 2012

Minhas 30 músicas de 2011 - Parte 3

20-16, continuando...

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20 - Shuffle - Bombay Bicycle Club


O primeiro single do álbum "A Different Kinf of Fix" saiu sob enorme desconfiança. Aquela, antiga, que sempre desafia bandas, antes apontadas como salvadoras, a trilhar dois caminhos: a glória ou o esquecimento.

"Shuffle" veio sem grande alarde, com um clipe simples, sem aparentar grandes pretensões, como parece ser do estilo dos talentosos garotos do BBC.

A música é dúbia. Há momentos em que, ao ouvir, a impressão passada é de tristeza, de ser aquelas para se escutar em um dia cinzento. Mas em outras oportunidades parece ser feita para dançar.

Essa sensação não é gratuita. Uma das grandes características do Bombay é mesclar melodias que aparentam tristeza, a batidas precisas, constantes, com bumbo e caixa sempre bem marcados.

Certa vez, no show deles, um repórter gringo me perguntou se eu achava que eles ainda seriam grandes por aqui. Se serão, não sei, mas espero muito que sim...

Bombay Bicycle Club "Shuffle" (radio edit) by GrillMarketing

19 - This is Our Lot - Wild Beasts


Wild Beasts é, com toda a certeza, a surpresa mais grata que tive esse ano. Sempre, enquanto ouço, me pergunto: "Por que não conheci isso antes?".

"Two Dancers", segundo disco dos ingleses, é grandioso. É perfeito pra quem admira instrumental rebuscado, pra quem curte indie, para qum gosta de músicas que demonstram emoção pela parte vocálica... enfim, é um baita disco.

Em "This is Our Lot" dois fatores me chamam muita atenção.

Primeiro: a voz do baixista e vocalista Hayden Thorpe, que atinge os graus mais altos, tanto de agudos, quanto de graves. Falsetes perfeitos.

Segundo: o arranjo do baterista, Chris Talbot.
Depois de ouvir muitas músicas da banda, passei a considerá-lo um dos meus bateristas prediletos.

Nessa faixa, Chris dá um banho de criatividade ao misturar quase todos os elementos do seu drum kit para fazer uma só levada que perdura por praticamente toda a música - e ainda os apresenta de forma gradativa, como quem fala: "tenta aí em casa".



18 - Black and White America - Lenny Kravitz


Daquelas que chegam por acaso.

Lá estava eu, voltando pra casa e pensando na vida, quando no rádio do carro começo a ouvir algo que me interessa. Enquanto escutava o instrumental, pensei: "Po, que soul music bacana. Deve ser alguém das antigas...".

Me surpreendi positivamente quando a voz principal adentrou a canção. Realmente não esperava que fosse uma música do Lenny Kravitz.

"Black and White America" tem letra direta e intimista. Kravitz fala de sua experiência de vida sendo filho de pai branco e mãe negra, e tendo que aprender a conviver diariamente com os preconceitos e olhares estranhos direcionados a sua família. Tudo isso acompanhado de um instrumental absolutamente soul music.

"There's no division! Don't you understand? (...) We're black and white America"



17 - Buen Salvaje - La Vida Bohéme


Uma grata surpresa nesse ano. Conhecia bandas de rock vindas da Argentina, México e Colômbia. La Vida Bohéme é uma banda de rock vinda da Venezuela, país que raramente exporta bandas do estilo.

O primeiro álbum da banda, "Nuestra!", foi bastante elogiado e chegou até a concorrer no Grammy Latino. As influências vão do indie ao punk rock, passando também, é claro, pela música venezuelana.

Em "Buen Salvaje" há um ar sombrio durante o verso. O riff torto e a bateria se utilizando apenas dos graves vão subindo até encontrar um simples e inteligente refrão, que utiliza apenas de assovios para conseguir ficar na cabeça.

Se você nunca foi tão chegado em rock latino, talvez essa seja uma boa experiência.


16 - Tudo Bem, Malandro - Curumin


O último disco do multi-instrumentista Curumin foi "Japan Pop Show", de 2008. Mas o que continua ecoando nos meus auto-falantes ainda é "Achados e Perdidos" de 2003.

Nele, a influência de Jorge Ben e Trio Mocotó, tanto na sonoridade quanto nas letras, é gritante. Cavaquinho e/ou violão, um baixo bem marcado, a batera com o groove peculiar do Curumin e uma MPC modernizam o estilo nesse álbum.

"Tudo Bem, Malandro" vem com todos esses elementos e uma letra divertida. O som conta sobre um trabalhador que, apesar de todos os problemas da vida, tem consolo de saber que vai ter o seu tempinho pra sair e aproveitar um samba.

"Acordo logo cedo de manhã, busão lotado ligo o walkman, trabalho o dia inteiro no calor (...)
Mas tudo bem, malandro. Porque hoje tem balanço!"

Tudo isso num ritmo que parece ter vindo da malandragem pra malandragem.
Sem dúvida é uma música brasileira.

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