
Trago nessa nova postagem certo tom de protesto no que diz respeito ao preconceito e pré-julgamento de bandas da nova safra. Há um certo tom de desdém e generalização quando uma banda de garotos jovens se apresentam no cenário do rock. É bem verdade que boa parte dessas bandas são limitadas, e se utilizam de forma demasiada da imagem, porém muitos julgam muito a aparência, deixando pra trás aquilo que de fato tem que ser analisado: a música.
O Closure In Moscow se enquadra bem nesse tipo de análise precipitada, mas faz todas caírem por terra quando sua música é apresentada.
Bastante embasados em bandas modernas como At The Drive In, Circa Survive e The Mars Volta, a banda nasce na Austrália com o desejo de ganhar espaço entre a numerosa safra de bandas capturadas por pequenas gravadoras americanas. Objetivo que posteriormente seria atingido.
Formada em 2006, o primeiro passo da banda foi fazer shows pequenos em sua cidade natal (Melbourne), em busca de popularidade. O desenvolvimento foi tão rápido que na metade de 2007 estavam abrindo shows pra bandas populares dos EUA, como por exemplo, a Saosin. Tal performance abriu os olhos de gravadoras locais, basicamente a Taperjean Records, que deu a estrutura necessária para o Closure gravar seu primeiro trabalho.
A amostra de qualidade do Closure in Moscow ficou evidente do lançamento do EP intitulado 'The Penance and the Patience'. Com apenas 6 músicas, o garotos de Melbourne colocaram toda sua criatividade em prática, explicitando o estilo instrumental que marca a banda: guitarras bem combinadas e arranjadas com bastante uso de efeitos, baixo que segue os riffs e uma bateria sempre com muita quebra de ritmo.
A primeira grande música da banda fica por conta de 'We Want Guarantees, Not Hunger Pains' que abre o primeiro trabalho. Potente desde o início, a música é um grande cartão de visitas àqueles que apreciam riffs pouco convencionais, já que desde a introdução até o refrão a influência de Omar Rodriguez López (The Mars Volta) é nítida. Com um refrão diferente, repetitivo, mas muito potente na voz do frontman Christopher de Cinque, o Closure in Moscow começa a ganhar o seu primeiro grande espaço na cena underground.
O talento da banda rendeu o tão sonhado contrato com uma gravadora norte-americana. A Equal Vison Records, especializada em revelar bandas pouco conhecidas no mainstream, viu nos garotos um diferencial, dando assim o apoio para a gravação do álbum de estreia do Closure, entitulado 'First Temple'.
Com tal apoio, os australianos abusaram da criatividade e fizeram um grandioso trabalho de estréia. 'First Temple' é um daqueles discos que o ouvinte aprecia sem se incomodar com nenhuma música e se surpreende ao perceber que chegou ao fim.
O primeiro single fica por conta de 'Sweet#hart', música que tem a dose necessária pra ser grudenta e, ao mesmo tempo, rebuscada. O arranjo privilegiado na bateria de Beau McKee traz a química perfeita ao se encontrar com a diferenciada combinação de guitarras Mansur Zanelli (que além de tudo faz um perfeito backing vocal) e Michael Barret (encarregado da maior parte dos efeitos nas guitarras da banda), músicos que fogem das palhetadas óbvias.
Há de se destacar no álbum algumas belas músicas. 'Had To Put It In the Soil' é a maior marca da criatividade dos guitarristas na elaboração de seus riffs e além de tudo, possui uma psicodelia invejável a qualquer conjunto de Rock Progressivo; 'Deluge' mostra uma bela combinação vocálica, sendo a "balada" do CD, mas é claro, com a roupagem nada convencional que é a peculiaridade da banda; e 'Couldn't Let You Love Me', canção instrumental acústica que, surpreendentemente, têm clara influência do Flamenco; mostrando, de forma definitiva, que juventude não é sinônimo de falta de virtuosismo instrumental.
Enfim, o Closure in Moscow é um tapa na cara dos insistentes saudosistas, os quais fazem questão de rebaixar a safra atual de bandas. O rock de qualidade ainda existe, está apenas tímido, atrás de um imenso muro conhecido como A Grande Indústria Fonográfica, o qual poucos bons artistas conseguem transpor.
Closure in Moscow - We Want Guarantees, Not Hunger Pains
Closure in Moscow - Sweet#hart
