sábado, 6 de março de 2010

Closure In Moscow - A Forma Somada ao Conteúdo




Trago nessa nova postagem certo tom de protesto no que diz respeito ao preconceito e pré-julgamento de bandas da nova safra. Há um certo tom de desdém e generalização quando uma banda de garotos jovens se apresentam no cenário do rock. É bem verdade que boa parte dessas bandas são limitadas, e se utilizam de forma demasiada da imagem, porém muitos julgam muito a aparência, deixando pra trás aquilo que de fato tem que ser analisado: a música.

O Closure In Moscow se enquadra bem nesse tipo de análise precipitada, mas faz todas caírem por terra quando sua música é apresentada.

Bastante embasados em bandas modernas como At The Drive In, Circa Survive e The Mars Volta, a banda nasce na Austrália com o desejo de ganhar espaço entre a numerosa safra de bandas capturadas por pequenas gravadoras americanas. Objetivo que posteriormente seria atingido.

Formada em 2006, o primeiro passo da banda foi fazer shows pequenos em sua cidade natal (Melbourne), em busca de popularidade. O desenvolvimento foi tão rápido que na metade de 2007 estavam abrindo shows pra bandas populares dos EUA, como por exemplo, a Saosin. Tal performance abriu os olhos de gravadoras locais, basicamente a Taperjean Records, que deu a estrutura necessária para o Closure gravar seu primeiro trabalho.

A amostra de qualidade do Closure in Moscow ficou evidente do lançamento do EP intitulado 'The Penance and the Patience'. Com apenas 6 músicas, o garotos de Melbourne colocaram toda sua criatividade em prática, explicitando o estilo instrumental que marca a banda: guitarras bem combinadas e arranjadas com bastante uso de efeitos, baixo que segue os riffs e uma bateria sempre com muita quebra de ritmo.

A primeira grande música da banda fica por conta de 'We Want Guarantees, Not Hunger Pains' que abre o primeiro trabalho. Potente desde o início, a música é um grande cartão de visitas àqueles que apreciam riffs pouco convencionais, já que desde a introdução até o refrão a influência de Omar Rodriguez López (The Mars Volta) é nítida. Com um refrão diferente, repetitivo, mas muito potente na voz do frontman Christopher de Cinque, o Closure in Moscow começa a ganhar o seu primeiro grande espaço na cena underground.

O talento da banda rendeu o tão sonhado contrato com uma gravadora norte-americana. A Equal Vison Records, especializada em revelar bandas pouco conhecidas no mainstream, viu nos garotos um diferencial, dando assim o apoio para a gravação do álbum de estreia do Closure, entitulado 'First Temple'.

Com tal apoio, os australianos abusaram da criatividade e fizeram um grandioso trabalho de estréia. 'First Temple' é um daqueles discos que o ouvinte aprecia sem se incomodar com nenhuma música e se surpreende ao perceber que chegou ao fim.

O primeiro single fica por conta de 'Sweet#hart', música que tem a dose necessária pra ser grudenta e, ao mesmo tempo, rebuscada. O arranjo privilegiado na bateria de Beau McKee traz a química perfeita ao se encontrar com a diferenciada combinação de guitarras Mansur Zanelli (que além de tudo faz um perfeito backing vocal) e Michael Barret (encarregado da maior parte dos efeitos nas guitarras da banda), músicos que fogem das palhetadas óbvias.

Há de se destacar no álbum algumas belas músicas. 'Had To Put It In the Soil' é a maior marca da criatividade dos guitarristas na elaboração de seus riffs e além de tudo, possui uma psicodelia invejável a qualquer conjunto de Rock Progressivo; 'Deluge' mostra uma bela combinação vocálica, sendo a "balada" do CD, mas é claro, com a roupagem nada convencional que é a peculiaridade da banda; e 'Couldn't Let You Love Me', canção instrumental acústica que, surpreendentemente, têm clara influência do Flamenco; mostrando, de forma definitiva, que juventude não é sinônimo de falta de virtuosismo instrumental.

Enfim, o Closure in Moscow é um tapa na cara dos insistentes saudosistas, os quais fazem questão de rebaixar a safra atual de bandas. O rock de qualidade ainda existe, está apenas tímido, atrás de um imenso muro conhecido como A Grande Indústria Fonográfica, o qual poucos bons artistas conseguem transpor.



Closure in Moscow - We Want Guarantees, Not Hunger Pains


Closure in Moscow - Sweet#hart

terça-feira, 2 de março de 2010

Oceansize - Virtuosismo em Prol do Sentimento


Paciência, atenção, atração e alucinação. Palavras que nem sempre podem ser colocadas na mesma cabeça em qualquer circunstância, mas que são essenciais quando o assunto tratado é um estilo esquecido, pouco aclamado, fadado à extinção, mas que sempre foi e sempre será lembrado como grandioso: o Rock Progressivo.

Tendo seu pioneirismo e seu auge na década de 70 com o Pink Floyd, Yes, Rush e Genesis o estilo foi sobrevivendo à custa de gênios da época, que sempre foram lembrados por seus shows grandiosos e virtuosismo nas elaborações instrumentais. Mas iriam haver filhos de sucesso para o Rock Progressivo ou a indústria fonográfica tenderia a esquecê-lo? Segunda opção.

A partir dos anos 80 o estilo ficou em coma. Com o crescimento da New Wave e Hair Metal, a forma foi se sobrepondo aos solos, arranjos e virtuosismo; e houve maior busca àquilo que cairia no gosto popular. Já nos anos 90, mostrou sinais de vida com a chegada, principalmente, de bandas como Dream Theater e Tool, sendo esta última uma vertente inovadora para o Progressivo, influenciando diretamente aquela banda que, nos anos 2000, tentaria dar continuidade ao gênero: o Oceansize.

O Rock Progressivo renovado pelo Tool, se pautava em haver menos solos grandiosos, e mais elaborações melódicas e rítmicas, nunca estando um patamar abaixo dos outros por este motivo. Tal empreitada serviu como maior inspiração para 5 rapazes de Manchester, que buscavam apenas fazer e tocar o que gostavam, e o que sentiam ter capacidade para levar em frente.

O Oceansize começa sua trajetória em 1998. Sem grande apoio, conseguem lançar seu primeiro álbum apenas cinco anos depois, em 2003 atendendo pelo nome de 'Effloresce'. Repleto de psicodelia, o trabalho é completo, há guitarras distorcidas e limpas em 'Catalyst', e há emoção e rancor em 'You Wish'. Mas o cume fica por conta de 'Amputee', que com uma belíssima utilização de tremolo, nos faz fechar os olhos e imaginar cada passagem da música com as imagens que nos vêm à mente.

O segundo trabalho lançado em 2005 e intitulado 'Everyone Into Position', seguiu uma linha mais séria, trazendo à tona uma banda amadurecida. A grande diferença fica por conta das melodias de características mais tristes, e a maior inserção de pianos e teclados.

A banda chega à sua melhor forma em 2007 com o lançamento do grandioso 'Frames'. Nunca as três guitarras do Oceansize estiveram tão sintonizadas quanto na segunda faixa do disco e primeiro single que atende pelo nome de 'Unfamiliar', uma obra que traz, além da perfeita combinação entre as cordas, um arranjo privilegiado do baterista Mark Heron, que dita o ritmo da canção em todos os momentos em consonância com o belo baixo palhetado de Steve Hodson. A banda também traz no álbum certo engajamento com a faixa 'Commemorative 9/11 T-Shirt', que ironicamente fala do fatídico 11 de Setembro.

Se o Rock Progressivo vai sobreviver por muito tempo? Difícil afirmar. Mas mesmo repaginado, renomeado ou reestruturado, sempre haverá amantes do complexo. Aquilo que se encontra fora de simples acordes, refrões grudentos e apelos estilísticos. Aquilo que se chama virtuosismo.

http://www.myspace.com/oceansizeuk

Oceansize - Unfamiliar (Live)