Dessa forma, nesse post e nos dois seguintes, falarei de algumas músicas que ouvi desde pequeno em todos esses encontros familiares, e de outras que me ganharam pela narrativa dessa junção ao longo dos anos.
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Jorge Ben não tem a métrica perfeita de Chico, mas encanta pela simplicidade. Todos conhecem a narrativa do "verdadeiro gol de placa" de Fio Maravilha, e do ponta de lança africano Umbabarauma, mais famoso até que o Drogba para os brasileiros de mais idade.
No entanto, Deco, meu pai, e Duda, meu tio, grandes amantes de Jorge Ben como eu, em seus tempos de jogadores de várzea nunca foram fazedores de gol como os anteriormente citados. Talvez até sonhassem ser, mas a realidade proporcionou a posição de zagueiro (meu pai também jogou de goleiro, mas no futsal) para a capacidade futebolística deles. E isso foi até bom, pois, se não fosse por isso, é provável que a música "Zagueiro" não tivesse tanto destaque quando nos reuníamos.
A facilidade de Jorge Ben em falar sobre futebol nas letras era tão grande que até música pra segunda posição mais ingrata do futebol ele fez. Chega a ser engraçado, mas até o atacante mais preguiçoso na marcação, ao ouvir essa música, percebe a beleza da posição.
"Ele é um bom zagueiro / É o anjo da guarda da defesa / Mas para ser um bom zagueiro / Não pode ser muito sentimental / Tem que ser sutil e elegante / Ter sangue frio, acreditar em si e ser leal"
Talvez dê pra se contar nos dedos de uma mão os zagueiros que reúnam todas essas características. Assim como é quase impossível de se ver músicos com o dom de juntar futebol e melodia como faz Jorge Ben. Dessa forma, é bom ver que, mesmo que indiretamente, eternos monstros do desarme como Beckenbauer, Maldini, Baresi - e por que não Deco e Duda? - terão, também, o seu lugar na eternidade musical.
