terça-feira, 2 de agosto de 2011

Wild Beasts - Originalidade e rebuscagem


O rock a partir dos anos 2000 adquiriu certo tom de rapidez por parte da nova safra de bandas que surgia. Guitarras simplistas, com riffs ligeiros, ora distorcidos, ora limpos; arranjos de bateria com tempos que sempre andam na linha e muita obediência de variações - ora ximbal aberto, ora fechado, ora prato de ataque e ora o de condução.

Tal "padronização" musical trouxe à tona muita coisa boa, mas também muita repetição de fórmulas. O que nos tornava um pouco mais detalhistas e minuciosos ao argumentar as diferenças básicas das bandas que passavam a surgir.

"Ah, os Arctic Monkeys tem riffs mais simples, mas se superam pela inteligência lírica. Os Strokes não são tão bons nas letras, mas sabem combinar suas duas guitarras como poucos. O Kaiser Chiefs são simplistas no instrumental e nas letras, mas a energia deles no palco é o diferencial".

Argumentos para exemplificar e diferenciar bandas que, em sua essência, são muito parecidas.

Porém a necessidade de originalidade e renovação em um cenário povoado de fórmulas repetidas bateu na porta de quatro rapazes de Kendal, Inglaterra. Os Wild Beasts mostram em suas músicas uma sutileza de arranjos que, ironicamente, entram em conflito com o próprio nome da banda.

O talento de cada integrante transcende as barreiras do clichê, e fazem elo com a rebuscagem da música clássica, sem perder a atitude do rock.

O ponto forte da banda fica por conta dos vocais de Hayden Thorpe e Tom Flaming. O primeiro com tom de voz sutil, e que de tão leve dá a impressão de flutuar sobre as músicas. O segundo com um tom sombrio, pesado, mas não menos belo.

O grande barato é perceber como vozes tão antagônicas podem se fundir tão intensamente, sem destoar do grande objetivo da banda: uma completa viagem às antiguidades, modernidades, e -por que não? -, outros planetas.

O instrumental é levado por melodias diferentes e originais.
No primeiro álbum ("Limbo, Panto"), há um clima medieval e pesado, com batidas mais intensas, e guitarras mais palhetadas.

No segundo e mais aclamado disco ("Two Dancers"), ainda há forte compromisso rítmico - uma das características mais marcantes da banda, nas mãos do originalíssimo baterista Chris Talbot - porém, existe também maior comprometimento com as melodias. É o álbum em que os Wild Beasts encontram, definitivamente, uma identidade e o equilíbrio perfeito entre ritmo e melodia.

Vale a pena conhecer cada vez mais a linda obra dessa subestimada banda.

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Vocal de Hayden Thorpe


Vocal de Tom Fleming

segunda-feira, 16 de maio de 2011

What did you expect from The Vaccines?



Mais uma vez a mídia transforma uma banda em mártir sem esta se quer ter lançado um primeiro trabalho. Os Vaccines foram as vítimas - vítimas? - dessa vez.

O hype muitas vezes pode resultar em um completo fracasso e ardoroso esquecimento. Um exemplo disso - que talvez muita gente nem conheça - é a banda Joe Lean and the Jing Jang Jong.
Tão péssimo quanto o nome da banda foi a vontade da mídia em fazê-los novos Strokes ou Libertines. Roupas estilosas, postura drunken rockstar, riffs diretos, tudo que fez dos "salvadores do rock" de antes, os ícones indies de hoje em dia. Porém nada deu certo para Joe Lean e sua trupe, que não passou de apresentações no Sound da BBC.

Tudo foi feito igualzinho com os Vaccines, mas dessa vez o hype ajudou.
Antes de lançarem o primeiro CD de estúdio, o "What Did You Expect from the Vaccines?", algumas músicas saíram para dar ideia do que viria por aí. Post Break-Up Sex, Wreckin' Bar (Ra Ra Ra) e If You Wanna mostraram o estilo, ora objetivamente Ramones, ora melancolicamente Interpol, dos quatro rapazes de Londres. Postura que tinha tudo para fracassar, já que não apresentava nada tão inovador à um público britânico que, algumas vezes, é muito seletivo.

Porém o vocalista, guitarrista, compositor e já personagem carismático da banda, Justin Young, mostrou que apesar de parecerem comuns, a banda tinha, ainda que discretamente, alguns diferenciais.

O álbum é bipolar. Assim como aquele seu amigo que você custa para entender o comportamento, o disco passa da felicidade para a tristeza de maneira rápida e nada dolorosa, a banda consegue passar por esta difícil tarefa com louvor.

No que diz respeito ao instrumental, a simplicidade é o ponto alto. O guitarrista Freddie Cowan (irmão caçula de Tom Cowan do The Horrors), abusa do phaser; o baixista Árni Hjörvar anda sempre na linha e o baterista Pete Robertson é extremamente preciso no tempo.

O disco é bastante interessante, passa rápido e é agradável de se escutar. Os destaques ficam por conta da animada Norgaard, a bêbada Wreckin' Bar, e a candidata a clássico underground Post Break-Up Sex. Destaque também para a belíssima All In White, ponto emotivo alto nesse trabalho.

Os Vaccines, assim como qualquer banda no auge do hype e que consegue uma estréia elogiada, tem mais um teste para ser batido: o teste do segundo álbum. Para conseguiram aprovação, precisam aliar a coesão do "What Did You Expect from the Vaccines?" com um algo a mais que só cabe aos integrantes descobrir. A partir daí poderemos ver se chegaram, realmente, para ficar.


terça-feira, 10 de maio de 2011

Incubus - If Not Now, When?



Discrição.
Há de ser dizer que esta palavra caracteriza tudo que envolve o Incubus. Não se sabe se ela se impregna de forma positiva ou negativa, mas certamente está derramada por cima dos 5 (não mais) garotos de Calabasas, Califórnia.

De início podemos comprovar esta tese pela não inserção da banda em nenhum estilo específico. Ao longo da carreira o Incubus sempre se caracterizou por fazer um álbum diferente um do outro, e, dentro de tais diferenças, cada tracklist se responsabilizava por nunca ser linear, ou seja, o discos sempre foram diferentes uns dos outros e as músicas de cada disco sempre buscaram, também, se diferenciar umas das outras. Esta qualidade, além de evidenciar a capacidade criativa de cada músico, sempre os deixou fora daquilo que a mídia mais gosta: o rótulo e o hype.

Outra prova da discrição dos caras são os próprios fãs, os quais refletem como um espelho toda ausência de linearidade da banda. Se um dia alguém conversar com cinco pessoas que gostam de Incubus e perguntar à eles quais as outras bandas que elas são fãs, pode ter certeza que as respostas vão de Nação Zumbi e RATM até Kate Nash ou Joss Stone.

O novo álbum If Not Now, When?, com lançamento idealizado para o mês de Julho, mas que acabou vazando no final de Abril, mantém o costume de reinvenção do grupo em cada trabalho, porém acaba pecando no que diz respeito à criatividade.

Antes do vazamento das músicas, o primeiro single "Adolescents" havia sido liberado pela banda, causando expectativas de uma volta às características do disco Morning View, trabalho mais aclamado dos californianos. No entanto, o disco chegou com ares mais limpos e românticos. Com clara influência no relacionamento entre o frontman Brandon Boyd e sua mulher Baelyn Neff, o disco desaponta os fãs que esperavam uma volta explosiva, de riffs ainda mais criativos do guitarrista Mike Einziger (recém formado na faculdade de música de Harvard) e maior inserção de peso - o que raramente acontece, já que raramente pode-se ouvir guitarras distorcidas.

Os pontos fortes do álbum ficam por conta de três músicas. Isadore, balada com imenso potencial para, talvez, virar single de algum sucesso; Switch Blade, a música mais "Incubus" desse trabalho, com um entrosamento invejável e muito groove na conta Jose Pasillas (bateria) e Ben Kenney (baixo); e In The Company of Wolves, uma longa viajem de 7:30 que passa desde Pink Floyd até Nine Inch Nails.

O disco tem qualidade. É coeso, bem produzido e conta com Brandon Boyd em sua melhor forma. Mas falta pegada. Falta Incubus.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bombay Bicycle Club - How Can You Swallow So Much Sleep



De volta às postagens depois de quase um ano, venho, por hoje, com uma nova brisa, meio de saco cheio dessa coisa Rolling Stone. Embora adore isso, há coisas que, no momento, acho mais importantes pra serem analisadas nessa coisa toda. Nesse post a relação música/sentimento vai ser a tônica.

Trago nesse texto um som que me chamou atenção em meio a esse longo período. How Can You Swallow So Much Sleep, música que faz parte da (ótima, por sinal) trilha sonora da Saga Crepúsculo, e que é assinada pelos prodígios da banda Bombay Bicycle Club.

Can I wake you up?
Can I wake you up?
Is it late enough?
Is it late enough?

There's a story in which my eyes shut
Could you bag me up?
Could you bag me up?


Eis a letra completa da música.
Vaga? Sem criatividade? Não. Simplesmente é o bastante.

Conversando com a amigos nessa semana percebi que, também na opinião deles, a letra pouco importa quando a melodia faz dela mera coadjuvante. O que está constatado em How Can You Swallow So Much Sleep.

A sutileza dos arranjos de Jack Steadman, mesclada com a gravidade de sua voz - uma das inúmeras fórmulas do Bombay - trazem nessa música a real sensação que qualquer pessoa no mundo, pelo menos um dia que for, sonha em ter: acordar em uma manhã qualquer, sem preocupação alguma, querendo pura e simplesmente dar carinho à alguém que dividiu contigo bons momentos e que te faz feliz.

Melhor que qualquer palavra, cá está essa brisa maravilhosa de uma das gratas revelações de 2010: