
O rock a partir dos anos 2000 adquiriu certo tom de rapidez por parte da nova safra de bandas que surgia. Guitarras simplistas, com riffs ligeiros, ora distorcidos, ora limpos; arranjos de bateria com tempos que sempre andam na linha e muita obediência de variações - ora ximbal aberto, ora fechado, ora prato de ataque e ora o de condução.
Tal "padronização" musical trouxe à tona muita coisa boa, mas também muita repetição de fórmulas. O que nos tornava um pouco mais detalhistas e minuciosos ao argumentar as diferenças básicas das bandas que passavam a surgir.
"Ah, os Arctic Monkeys tem riffs mais simples, mas se superam pela inteligência lírica. Os Strokes não são tão bons nas letras, mas sabem combinar suas duas guitarras como poucos. O Kaiser Chiefs são simplistas no instrumental e nas letras, mas a energia deles no palco é o diferencial".
Argumentos para exemplificar e diferenciar bandas que, em sua essência, são muito parecidas.
Porém a necessidade de originalidade e renovação em um cenário povoado de fórmulas repetidas bateu na porta de quatro rapazes de Kendal, Inglaterra. Os Wild Beasts mostram em suas músicas uma sutileza de arranjos que, ironicamente, entram em conflito com o próprio nome da banda.
O talento de cada integrante transcende as barreiras do clichê, e fazem elo com a rebuscagem da música clássica, sem perder a atitude do rock.
O ponto forte da banda fica por conta dos vocais de Hayden Thorpe e Tom Flaming. O primeiro com tom de voz sutil, e que de tão leve dá a impressão de flutuar sobre as músicas. O segundo com um tom sombrio, pesado, mas não menos belo.
O grande barato é perceber como vozes tão antagônicas podem se fundir tão intensamente, sem destoar do grande objetivo da banda: uma completa viagem às antiguidades, modernidades, e -por que não? -, outros planetas.
O instrumental é levado por melodias diferentes e originais.
No primeiro álbum ("Limbo, Panto"), há um clima medieval e pesado, com batidas mais intensas, e guitarras mais palhetadas.
No segundo e mais aclamado disco ("Two Dancers"), ainda há forte compromisso rítmico - uma das características mais marcantes da banda, nas mãos do originalíssimo baterista Chris Talbot - porém, existe também maior comprometimento com as melodias. É o álbum em que os Wild Beasts encontram, definitivamente, uma identidade e o equilíbrio perfeito entre ritmo e melodia.
Vale a pena conhecer cada vez mais a linda obra dessa subestimada banda.
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Vocal de Hayden Thorpe
Vocal de Tom Fleming
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