
Discrição.
Há de ser dizer que esta palavra caracteriza tudo que envolve o Incubus. Não se sabe se ela se impregna de forma positiva ou negativa, mas certamente está derramada por cima dos 5 (não mais) garotos de Calabasas, Califórnia.De início podemos comprovar esta tese pela não inserção da banda em nenhum estilo específico. Ao longo da carreira o Incubus sempre se caracterizou por fazer um álbum diferente um do outro, e, dentro de tais diferenças, cada tracklist se responsabilizava por nunca ser linear, ou seja, o discos sempre foram diferentes uns dos outros e as músicas de cada disco sempre buscaram, também, se diferenciar umas das outras. Esta qualidade, além de evidenciar a capacidade criativa de cada músico, sempre os deixou fora daquilo que a mídia mais gosta: o rótulo e o hype.
Outra prova da discrição dos caras são os próprios fãs, os quais refletem como um espelho toda ausência de linearidade da banda. Se um dia alguém conversar com cinco pessoas que gostam de Incubus e perguntar à eles quais as outras bandas que elas são fãs, pode ter certeza que as respostas vão de Nação Zumbi e RATM até Kate Nash ou Joss Stone.
O novo álbum If Not Now, When?, com lançamento idealizado para o mês de Julho, mas que acabou vazando no final de Abril, mantém o costume de reinvenção do grupo em cada trabalho, porém acaba pecando no que diz respeito à criatividade.
Antes do vazamento das músicas, o primeiro single "Adolescents" havia sido liberado pela banda, causando expectativas de uma volta às características do disco Morning View, trabalho mais aclamado dos californianos. No entanto, o disco chegou com ares mais limpos e românticos. Com clara influência no relacionamento entre o frontman Brandon Boyd e sua mulher Baelyn Neff, o disco desaponta os fãs que esperavam uma volta explosiva, de riffs ainda mais criativos do guitarrista Mike Einziger (recém formado na faculdade de música de Harvard) e maior inserção de peso - o que raramente acontece, já que raramente pode-se ouvir guitarras distorcidas.
Os pontos fortes do álbum ficam por conta de três músicas. Isadore, balada com imenso potencial para, talvez, virar single de algum sucesso; Switch Blade, a música mais "Incubus" desse trabalho, com um entrosamento invejável e muito groove na conta Jose Pasillas (bateria) e Ben Kenney (baixo); e In The Company of Wolves, uma longa viajem de 7:30 que passa desde Pink Floyd até Nine Inch Nails.
O disco tem qualidade. É coeso, bem produzido e conta com Brandon Boyd em sua melhor forma. Mas falta pegada. Falta Incubus.
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