sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Phoenix - Aclamação Como Mágica


Pode-se dizer que boa parte dos grandes destaques da última década no cenário do rock, vieram de uma terra chuvosa, com aparência cinzenta, de jovens sedentos por música para preencher espaços vazios em suas cabeças e corações. Ingredientes de um lugar que atende pelo nome de Reino Unido.

A mistura do fervor do Brit-Pop de Oasis e Blur com a inovação implantada pela trupe de Thom Yorke no Radiohead, resultou naquilo que, para os mais íntimos, ficou mundialmente conhecido como 'Indie Rock', ou apenas 'Rock Alternativo', caso não se tenha tanta familiaridade com o estilo.

Os filhos de tal mistura passaram a buscar, cada vez mais, a curiosidade de reciclar seu próprio estilo. Houve desde a mistura com o reggae do Kooks, até sagacidade nas elaborações melódicas e rítmicas nos vocais de Alex Turner no seu Arctic Monkeys. Todos obtiveram sucesso em suas empreitadas e marcaram a década, mas era de se esperar que algo mais interessante viesse no final. Tal tarefa ficou por conta daqueles que, historicamente, são conhecidos como fechados em seu próprio idioma, orgulhosos, porém nunca menos talentosos: os franceses, por intermédio do Phoenix.

A banda nasceu da mesma sala da escola do Daft Punk. Porém, como um universitário que não termina bem seu curso, acabaram vendo os seus ex-companheiros robotizados alçarem vôos rasantes, e explodirem nas discotecas de todo o mundo.

O Phoenix labutou. Lançaram o álbum 'United' em 2000, e conseguiram com ele um bom começo, já que tiveram a o single 'Too Young' presente na trilha do filme que no Brasil ficou conhecido como 'Encontros e Desencontros'. Todavia, o feito ainda era insuficiente no sucesso dos Bleus.

A surpresa veio no lançamento do disco 'Alphabetical'. Mantendo o estilo que primou pela mistura de uma percussão dançante, arranjos inteligentes de violões e teclado, e um vocal bêbado e ainda assim agradabilíssimo de Thomas Mars. Singles como 'Run Run Run' e 'Everything is Everything' os levaram a um bom patamar na Europa, mas ainda longe dos seus compatriotas do Daft Punk. Distância assim alargada com o insucesso do 3º trabalho, intitulado 'It's Never Been Like That', título que parece até fazer referência à fase que o Phoenix vivia.

A trajetória nada linear do grupo chegou ao seu topo em 2009. Em um ano em que todos os olhares se voltavam para controverso novo trabalho dos Arctic Monkeys, e para a surpreendente formação do Them Crooked Vultures, o verdadeiro destaque finalmente chegou para os incansáveis de Versailles.

O 4º álbum 'Wolfgang Amadeus Phoenix' apareceu como mais um na multidão, e terminou como um dos melhores discos da década. Caracterizado pela maior inserção de teclados e sintetizadores, bons arranjos de guitarra e letras que falam de grandes artistas como Franz Liszt presente no 2º single 'Lisztomania'. O Phoenix fechou com chave de ouro uma década de riffs repetitivos e pouca originalidade na combinação instrumental e elaboração silábica das composições.

Agora sim eles podem olhar para seus companheiros metálicos do Daft Punk e exaltar a velha máxima: "Os últimos, serão os primeiros".



www.myspace.com/wearephoenix

Phoenix - 1901 (Live on Letterman)

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