
Paciência, atenção, atração e alucinação. Palavras que nem sempre podem ser colocadas na mesma cabeça em qualquer circunstância, mas que são essenciais quando o assunto tratado é um estilo esquecido, pouco aclamado, fadado à extinção, mas que sempre foi e sempre será lembrado como grandioso: o Rock Progressivo.
Tendo seu pioneirismo e seu auge na década de 70 com o Pink Floyd, Yes, Rush e Genesis o estilo foi sobrevivendo à custa de gênios da época, que sempre foram lembrados por seus shows grandiosos e virtuosismo nas elaborações instrumentais. Mas iriam haver filhos de sucesso para o Rock Progressivo ou a indústria fonográfica tenderia a esquecê-lo? Segunda opção.
A partir dos anos 80 o estilo ficou em coma. Com o crescimento da New Wave e Hair Metal, a forma foi se sobrepondo aos solos, arranjos e virtuosismo; e houve maior busca àquilo que cairia no gosto popular. Já nos anos 90, mostrou sinais de vida com a chegada, principalmente, de bandas como Dream Theater e Tool, sendo esta última uma vertente inovadora para o Progressivo, influenciando diretamente aquela banda que, nos anos 2000, tentaria dar continuidade ao gênero: o Oceansize.
O Rock Progressivo renovado pelo Tool, se pautava em haver menos solos grandiosos, e mais elaborações melódicas e rítmicas, nunca estando um patamar abaixo dos outros por este motivo. Tal empreitada serviu como maior inspiração para 5 rapazes de Manchester, que buscavam apenas fazer e tocar o que gostavam, e o que sentiam ter capacidade para levar em frente.
O Oceansize começa sua trajetória em 1998. Sem grande apoio, conseguem lançar seu primeiro álbum apenas cinco anos depois, em 2003 atendendo pelo nome de 'Effloresce'. Repleto de psicodelia, o trabalho é completo, há guitarras distorcidas e limpas em 'Catalyst', e há emoção e rancor em 'You Wish'. Mas o cume fica por conta de 'Amputee', que com uma belíssima utilização de tremolo, nos faz fechar os olhos e imaginar cada passagem da música com as imagens que nos vêm à mente.
O segundo trabalho lançado em 2005 e intitulado 'Everyone Into Position', seguiu uma linha mais séria, trazendo à tona uma banda amadurecida. A grande diferença fica por conta das melodias de características mais tristes, e a maior inserção de pianos e teclados.
A banda chega à sua melhor forma em 2007 com o lançamento do grandioso 'Frames'. Nunca as três guitarras do Oceansize estiveram tão sintonizadas quanto na segunda faixa do disco e primeiro single que atende pelo nome de 'Unfamiliar', uma obra que traz, além da perfeita combinação entre as cordas, um arranjo privilegiado do baterista Mark Heron, que dita o ritmo da canção em todos os momentos em consonância com o belo baixo palhetado de Steve Hodson. A banda também traz no álbum certo engajamento com a faixa 'Commemorative 9/11 T-Shirt', que ironicamente fala do fatídico 11 de Setembro.
Se o Rock Progressivo vai sobreviver por muito tempo? Difícil afirmar. Mas mesmo repaginado, renomeado ou reestruturado, sempre haverá amantes do complexo. Aquilo que se encontra fora de simples acordes, refrões grudentos e apelos estilísticos. Aquilo que se chama virtuosismo.
http://www.myspace.com/oceansizeuk
Oceansize - Unfamiliar (Live)
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