
Não costumo ter essa coisa de achar que música tem época pra ser ouvida. "Ah, reggae é só no verão", "música triste é sempre no frio". Acho, sim, que as músicas variam de acordo com os sentimentos. Se naquele instante você está feliz, você ouvirá algo que, da sua maneira, condiz com aquele momento. Idem se ao contrário.
"All in White", em contrapartida, tem um ar gelado. Não que seja uma "música pra se ouvir no frio", mas ela é, com certeza, uma música de bela frieza.
O baixo linear de palhetadas firmes, aliado à voz sombria de Justin Young, levam os primeiro versos da música numa cadência tristonha. Nada mais é preciso para tornar o começo mais belo, visto que tudo, na intro, é feito para que todos os instrumentos se juntem da forma mais intensa possível. E é dessa forma que a junção se dá.
O pré-refrão é feito para ser forte. A cada golpe nos pratos, uma firme palhetada nas guitarras para desembocar num primeiro refrão de surpreendente leveza, no seu primeiro instante. Até os tons novamente se elevarem, para seguira na cadência linear tão características dos Vaccines na volta para o verso. Uma impecável construção rítmica.
Daí pra frente o som fica com a cara que caracteriza a banda. E é engraçado ver que, durante todo o verso e em determinadas partes do refrão, o guitarrista principal, Freddie Cowan segura uma só nota. É claro, colocando boas doses de phaser em sua guitarra. Mas é interessante como uma só nota, somada à base natural da música, pode fazer tanto sentido nesse som.
Se alguém teve a oportunidade de ouvir somente Wreckin' Bar ou então Norgaard - ambas faixas do elogiado álbum What Did you Expect from the Vaccines? - e acabou não gostando da banda, talvez possa se surpreender com essa outra faceta.
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